segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O que é luxo para a classe C?


Pesquisa mostra quais são as ambições da chamada nova classe média brasileira
Por Sylvia de Sá, do Mundo do Marketing | 18/02/2011

Tudo é luxo para a classe C. Pelo menos é o que diz uma pesquisa realizada pela Franceschini Análise de Mercado para conceituar o tema abordado no livro Luxo for All, de José Luiz Tejon, Roberto Panzarini e Victor Megido.

O levantamento teve como objetivo registrar o que os consumidores emergentes pensam do luxo e indicar caminhos para as empresas que desejam aproveitar o potencial deste segmento.

Marcas como C&A, Riachuello, Carrefour e Marisa foram algumas das mais citadas pelos entrevistados.

O estudo, no entanto, indicou que 64% dos consumidores da classe C não têm nenhuma marca de vestuário na memória que esteja ligada a luxo, assim como 62% também não citaram uma loja específica. Os números indicam as oportunidades para as empresas que souberem encantar esses clientes.

Apesar do mercado vivenciar movimentos de companhias como o Grupo Boticário, que lança a marca de cosméticos Eudora investindo principalmente em venda direta para atrair um público diferente da marca mãe, poucas são as companhias que entenderam a necessidade de oferecer o “luxo” que a classe C deseja.

Outro exemplo recente é o de Marisa, que lançou a bandeira Marisa Lingerie, sem mudar o foco na classe C, com pontos de venda que pretendem oferecer a melhor experiência de compra possível, orientação e produtos diferenciados.

Metade não associa luxo à ostentação

Em muitos casos, é preciso repensar a estratégia das companhias ou, até mesmo, criar novas marcas, como fez o Grupo Boticário. “As empresas terão que desenhar outro tipo de negócio. Casas Bahia e Marabraz são redes que ficaram enormes respeitando o consumidor, com outra forma de cadastro, de lidar com o cliente, tratar o atraso e abdicar dos juros. Uma atitude às vezes mais respeitosa”, diz Adélia Franceschini, Sócio-Diretora da Franceschini Análise de Mercado, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Segundo a pesquisa, no entanto, apenas metade dos entrevistados associam o luxo à representação social do status e da opulência, chamado pelos autores de opolux.

O resultado mostra que o caminho para as marcas que querem ser consideradas como luxo para estes consumidores é investir também no lado comportamental e no estilo de vida, e não apenas no material e na ostentação.

Do total, 25% não souberam definir o que seria luxo para si.
Já 17% citaram o egolux, luxo íntimo, baseado numa escolha subjetiva, como uma boa casa, contas pagas e poder descansar.

Outros 6% citaram ainda o luxo filosófico, que valoriza elementos como a consciência, o desapego, o bom gosto e ter saúde.

Mas, para 27% deles, luxo é ter um bom carro, poder viajar, ter conforto e ir a um restaurante com a família, o poplux.

Excelência, Estética, Experiência e Ética

E é no poplux que reside a oportunidade de reposicionamento e estratégia das marcas. “O luxo para a classe C é quase a idealização de uma vida confortável.

Esses consumidores têm uma realidade tão oprimida por necessidades básicas, que luxo é a ideia de uma casa boa, um carro novo, entrar no supermercado e comprar de tudo um pouco. Coisas absolutamente adquiridas pela classe média, mas que na classe C passam a ser um sonho, algo quase inatingível”, acredita Adélia.

Por isso terão destaque  as marcas que conseguirem tocar minimamente no ideário da classe C. A estratégia deve ter algum ponto de contato com este consumidor.

Esta é a diferença entre redes como Carrefour e Walmart, por exemplo. “O Walmart não tem traço de percepção da classe C. Talvez por ser uma rede mais recente, ter um nome estranho para o brasileiro, pela própria estratégia de comunicação, a localização e todos os P’s de Marketing que pesam na percepção – ou não percepção – da marca”, ressalta a executiva.

Para as empresas que desejam praticar o “novo luxo”, o livro – lançado pela Editora Gente – aborda os 4 E’s que podem contribuir para a estratégia com foco nas sociedades emergentes: Excelência, Estética, Experiência e Ética.

O primeiro deles refere-se ao comprometimento com produtos e serviços de qualidade assegurada. “Com um problema de renda maior, os consumidores buscam produtos excelentes, corretos, que durem. Isso vai contra a ideia de que, para a base da população, qualquer porcaria serve.

O povo está aprendendo a escolher e é necessário ter excelência”, conta José Luiz Tejon, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A estética também é essencial, pois clientes emergentes querem o belo, como lojas com arquitetura aconchegante e produtos com design diferente.

Já a experiência é o ponto de partida para a venda, os consumidores devem ser acolhidos, tratados com dignidade para que se sintam incluídos.

Por fim, a ética é fundamental para garantir um relacionamento sustentável, duradouro e buscar conexões de longo prazo entre marca e cliente.

Novos 4 P’s

Na abordagem do luxo para a classe emergente, os 4 P’s também mudaram.

De acordo com o conceito do livro, os executivos devem levar em conta os novos 4 P’s. São eles Pessoas, Paixões, Produtos Cultuados e Pontos de Encontro.
“Pessoas”, porque o olhar de atendimento deve ser outro, conter uma visão humanista, antropológica, compreendendo que, mais do que um consumidor, existe uma pessoa com anseios, angústias e desejos, que espera ser atendida.

A “Paixão” é o que vai engajar os clientes. As empresas devem ser apaixonadas pelo que fazem de melhor para transformá-lo em algo importante para as demais pessoas, envolvê-los na causa, seja na produção de bens de consumo ou na prestação de serviços.

Consequentemente, os produtos devem ser cultuados, representar satisfação e cultivar o crescimento da autoestima de quem os consome.

“É preciso colocar os produtos em situações inteligentes de merchandising, como eventos. Eles devem fazer parte da cultura e dos valores humanos que precisam ser trabalhados pelas marcas.

Já o último P refere-se ao entendimento de que as lojas, muito mais do que vender, são pontos de encontro. As pessoas marcam casamentos em unidades da Apple.

Produtos, serviços e lojas são pontos de relacionamento que cultivam redes físicas ou virtuais”, explica Tejon.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Serviços será o setor mais promissor de Marketing em 2012


Levantamento realizado pela Michael Page com dois mil executivos no LinkedIn aponta as frentes de trabalho mais propícias a gerar oportunidades este ano
O setor de Serviços será o mais promissor para os profissionais de Marketing em 2012.

É o que diz um levantamento realizado pela Michael Page com dois mil profissionais de nível executivo em uma enquete no LinkedIn. Segundo o estudo, metade dos participantes acredita que o setor será o maior empregador de profissionais da área este ano.

Em segundo lugar aparece o Comércio (15%), seguido por Indústria e Agronegócios, ambos com 10%. Há ainda 15% que acreditam que todos os setores contratarão mais pessoas ligadas ao Marketing.

O setor de Serviços já representa uma parte importante do PIB Nacional e abrange diversas frentes, como Inteligência de mercado, CRM, Comunicação e Eventos.

A Michael Page acredita que a amplitude do mercado possibilita o surgimento de maiores oportunidades.
Por Letícia Alasse, do Mundo do Marketing | 24/01/2012


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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011


O Facebook está nos tornando infelizes (Facebook Is Making Us Miserable)
De Daniel Gulati com tradução livre de Sérgio Duarte

Quando o Facebook foi fundado em 2004, começou com uma missão aparentemente inócua: -  conectar amigos.

Com cerca de sete anos de vida e 800 milhões de usuários, hoje a rede social assumiu a maioria dos aspectos da nossa vida pessoal e profissional, e está se tornando rapidamente a dominante plataforma de comunicação do futuro.

Mas neste novo mundo de conexões em todos os lugares, o Facebook tem um lado escuro.

Na minha recente postagem (post) percebi que as redes sociais e o Facebook são os principais contribuidores para a ansiedade das pessoas.

É claro que o Facebook, em particular dá um passo adiante em relação a nos fazer pessoas infelizes.
Vamos aos fatos.

Com graus explosivos de crescimento o Facebook tem lançado produtos (aplicativos) como o Newsticker, Top Stories (no new feeds) e grandes fotografias, que têm sido os principais focos com o objetivo de incentivar mais compartilhamento entre pessoas.

E isto constata, precisamente, esta grande quantidade de opções de partilha está ameaçando nosso sentido de felicidade.

Ao escrever Passion & Purpose, monitorei e observei como o Facebook estava impactando as vidas de dezenas de jovens executivos.

Quando lancei minha pesquisa, ela se tornou clara sobre todas as coisas por detrás do Facebook como ligações, comentários, partilhas e postagens. Onde há grandes pistas de ciúme, ansiedade, e, até um caso de depressão.~

Foi dito por um entrevistado sobre o Facebook, por exemplo, que em uma relação com um colega, que o mesmo não fazia nenhum tipo de atualização do mesmo (update), por ciúmes.

E conforme eu ia mais fundo na pesquisa, descobri a rápida ascensão de produtos, responsáveis por formas angustiantes em que o gigante de mídia social fundamentalmente altera o senso diário de bem-estar em nossas vidas pessoais e de trabalho.

Em primeiro lugar, com a criação de celeiro de comparações, já que uma vez que nossos perfis no Facebook são de auto-curadoria, todos os usuários têm um forte viés em direção a promover a divulgação dos marcos positivos e evitar a menção de partes negativas de suas vidas.

Ou de realizações pessoais como: "olha , eu fui promovido!" ou "Dê uma olhada no meu novo carro esportivo," o que cria uma cultura on-line de competição e comparação.

Um entrevistado comentou, também na pesquisa, ainda que: "Eu sou muito competitivo por natureza, por isso, quanto aos meus amigos próximos, após uma boa notícia, eu sempre dou uma evidência"

Comparado-nos uns aos outros há um vetor resultante da infelicidade.

Tom DeLong, autor de Flying Without a Net, descreve uma "Armadilha da Comparação (Comparing Trap, tradução livre). Ao descrever que: "- Não importa o quão bem sucedidos somos e quantas metas nós conseguimos, essa armadilha faz com que devamos recalibrar nossas realizações”. 

É como se nós julgássemos todas as realizações até o momento em nossas vidas contra as vidas dos nossos amigos”, pois estamos colocando padrões impossíveis para nós mesmos, tornando-nos mais inapropriados do que nunca.

Em segundo lugar, o Facebook está ajudando a fragmentar o nosso tempo.

Pois, não surpreendentemente, o Facebook usa a estratégia "horizontal", que incentiva os usuários a fazer logon nos mais diversos computadores.

Meus entrevistados tem regularmente acessado o Facebook a partir do escritório, em casa através de seus iPads, e ao mesmo tempo fazendo compras em seus smartphones.

Isto significa que centenas de milhões de pessoas estão menos "presente" a um único local., estando on-line em vários lugares.

Por ex.: Preso no trânsito? É hora de procurar a uma newsfeed.
Um outro ex. relatou um entrevistado: "Eu quase fui atropelado por um carro enquanto usava o Facebook ao atravessar a rua."

Deixando o risco de dano físico real à parte, o problema com esta constante "tabulação" entre as tarefas da vida real e Facebook é o que os economistas e os psicólogos chamam de "custos de mudança." (há a perda de produtividade associada à mudança de uma tarefa para outra).

O famoso Dr. Srikumar Rao argumenta que, as distrações constantes levam à má qualidade de vida, impactando negativamente no nosso senso de auto-estima.

E por último, em nossa análise, há um declínio nos relacionamentos próximos.

Longe estão os dias onde o Facebook apenas complementava nossos relacionamentos na vida real.

Hoje, o Facebook adiciona novas funcionalidades como chat de vídeo, e ele está se tornando rapidamente um substituto viável para reuniões, construção de relacionamento, e até mesmo reuniões familiares. Cada vez mais há uma interação que substitui formas rica de comunicação como: uma reunião entre pessoas; ou um longo telefonema; ou até mesmo uma encontro em um restaurante - as pessoas tem perdido oportunidades para interagir de forma mais próxima.

Assim, o Facebook continua a adicionar novos recursos para nos ajudar a conectar com mais eficiência online, para que a batalha em manter relações off-line se torne ainda mais difícil, como "as propriedades de proximidade pelas amizade." – afirma o professor de psicologia Jeffrey Parker

Então, o que devemos fazer para evitar as armadilhas do Facebook?

Reconhecendo que "desistir" do Facebook é uma idéia completamente irrealista, ainda podemos tomar medidas para alterar os nossos padrões de uso e reforçar as nossas relações com o mundo real.

Algumas táticas que sugiro incluem o bloqueio de tempo (ao invés de visitar de forma constante durante o dia todo), as pessoas de forma seletiva (pois deveriam cortar nas listas parceiros indesejáveis, como colegas de trabalho fofoqueiros... entre outros) e investir mais tempo na construção de relacionamentos off-line.

E corajosamente excluir o Facebook de seus smartphones e iPads, assim como ficar em log off (desligados) da plataforma por longos períodos de tempo.

E aí, o Facebook está fazendo você infeliz? Que outras dicas você pode compartilhar com as outras pessoas?

fonte: Harvard business Review 
Daniel Gulati is a tech entrepreneur based in New York. He is a coauthor of the new book Passion & Purpose: Stories from the Best and Brightest Young Business Leaders.