domingo, 17 de março de 2013

No Marketing as pessoas não são números

No Marketing as pessoas não são números (e a Mídia Espalhada)
In Marketing, People Are Not Numbers

Por Sam Ford com tradução livre de Sérgio Duarte


Novos conceitos e críticas sobre o momento de uma nova mídia espalhada (Spreadable Midia) são alvo de crítica e reflexão no novo livro de Jenkins. Leia e reflita.

Para os profissionais de marketing não havia muito a procurar em plena era da comunicação. Era fácil fingir que as coisas eram simples, mesmo quando eles não eram... já que os números em conjuntos e dados demográficos em pesquisas eram "o bastante suficiente" para o entendimento do perfil dos clientes das empresas (o target).

Mas, hoje em dia, o conteúdo de mídia é controlado ora pelo target, ora pelos distribuidores tradicionais de mídia. 

Ora, nós distribuímos e dividimos artigos, vídeos e conteúdos como parte da nossa vida cotidiana para uma parcela significativa da população. Assim, encontramo-nos na idade do que eu e meus colegas chamamos de: Mídia Espalhada (Spreadable Midia)

Manter-se fechado, em relação aos dados de pesquisas, realmente não funciona mais tão bem na atualidade.
Mas, mesmo assim: as lógicas empresarias têm tentado preservar os antigos modelos e se ajustar aos novos fenômenos na mídia, e dentro de padrões ainda de uma gestão caseira de negócios.

A seguir apresento as três maneiras fundamentais, as quais, empresas estão tentando resistir à natureza do atual (e novo) ambiente de mídia espalhada na qual vivemos:

1. Transformando as pessoas em dados.
Como as empresas se tornaram como próprias editoras online, elas usam da lógica da "rigidez" para a manutenção de um modelo baseado em impressões de entender público, definir um bem sucedido número de visitas a um website, os cliques, os gostos, o tempo gasto em uma página do site, e assim por diante: transformando os seus públicos em dados quantitativos que podem ser facilmente tratados e comparados.

(Convertendo os diálogos com os consumidores em dados estatísticos as empresas fazem o monitoramento do que as audiências fazem no dia a dia, em seus cotidianos, fora de uma plataforma da web).

Com o fenômeno da Mídia Espalhada, chamamos isso de "ouvir", porque há uma concentração focada no que está dito na web pelas pessoas.

A grande maioria das empresas colocam pouca ênfase na "escuta", que é um processo ativo focado no contexto do que o público está dizendo.

Todavia, as organizações têm investido com profundidade em coletar boa parte das citações na internet de seus públicos e, logo existem maneiras fáceis de converter as citações (posts) em "sentimento" e "share of voice" (participação dos anúncios na programação de mídia).

Logo, o "Big Data" (nota: Big data se trata de um conceito, no qual o foco é o grande armazenamento de dados e maior velocidade) torna-se a palavra de ordem, o buchicho, o “bizu” predominante em todas as disciplinas de marketing.

Em suma, as organizações correm o risco de prestar menos atenção para entender profundamente todo o contexto das comunidades que estão tentando interagir.

2. Mantendo a distância.
Ao falarmos sobre conteúdo, isto torna-se o ingrediente ativo nos membros da audiência como receptores passivos.

Em estratégias de marketing  do tipo “viral” nota-se um fenômeno científico através do qual o público não tem a opção da escolha (sendo orientado a distribuir um determinado conteúdo na web).
Esta mímica ("meme") adota a linguagem científica da replicação do gene para descrever quando se espalha um material pela World Wide Web.

Em tese, é implícito que você não precisa "conhecer" os membros de uma determinada audiência em si, mas sim apenas monitorar uma pandemia resultante da distribuição de conteúdo.

Alguns profissionais de marketing veem o público ligado às redes sociais, não apenas em dados estatísticos agregados, mas com o impulso de encontrar atalho para a participação real e significativa em comunidades.

Um dos conceitos mais populares em marketing nos dias de hoje é o de ser "o influenciador".
Em um modelo que pressupõe que qualquer comunidade são algumas pessoas que, se ficarem a bordo do trem serão todos levados para um passeio.

Em suma, as empresas não têm o hábito de participar de relacionamentos com a maioria de seus públicos como os pastores, os quais todo mundo segue sem pensar.

3. Fazendo-os chegar até você.
Um mito central, tradicionalmente, governa o marketing, o de que a indústria está apenas focada na arte da persuasão na tentativa de alinhar os clientes com o que a empresa quer que eles façam.

Os profissionais de marketing ainda observam a forma que utilizam na era da comunicação para bombardear mensagens de mão-única, e promover a audiência a comprar o que a empresa está vendendo (de forma figurativa e literal).

A era da “espalhabilidade” (da Mídia Espalhada) oferece uma oportunidade de transformação para o Marketing e a Comunicação na ajuda de alinhar melhor a empresa para atender os desejos e necessidades de diferentes segmentos de clientes.

Muitas vezes, as empresas de serviços de informação e conhecimento fornecem aos clientes produtos e serviços tão importantes em si.
O Marketing e a Comunicação servirão da melhor forma a uma empresa, quando colocam primeiramente a ênfase em servir aos seus públicos.

Sam Ford é diretor de Estratégia Digital da Peppercomm e co-autor, com Henry Jenkins e Joshua Green, do livro: Spreadable Media: Creating Value and Meaning in a Networked Culture.

domingo, 10 de março de 2013

Pare de ouvir os seus consumidores


Pare de ouvir os seus consumidores

Stop Listening to Your Customers
Por Steve Martin com tradução livre de Sérgio Duarte

O que poderá persuadir o consumidor?

Cada segmento de negócio tem o interesse no que pode influenciar e convencer clientes e consumidores.

Uma das estratégias mais comuns para chegar a respostas a esta proposta é simplesmente fazer perguntas diretas aos clientes.

Existem várias maneiras que isto pode ser feito. 

Por exemplo, você pode perguntar aos seus clientes diretamente durante um encontro cara a cara ou; você pode levá-los a responder a um questionário (ou a até mesmo através de um questionário online através da web).

Você pode até mesmo terceirizar esta tarefa a uma agência de pesquisa de mercado que vai realizar pesquisas como também pesquisa de grupos de foco (focus group) para sua marca.

Mas, independentemente de como você vai elaborar as perguntas, é preciso reconhecer que há um problema fundamental a ser questionado: como persuadir os clientes em uma pergunta.

Na maioria das vezes os entrevistados não sabem dar a resposta através de uma estratégia de indução ou persuasão.

Não é que os consumidores não queiram responder as perguntas, visto que elas podem ter muitas opções no momento de uma entrevista. 

Devido a isto, ou seja, devido a existente abundância de opções de respostas, os clientes tem grande probabilidade de proporcionar erros em relação a algo perguntado.

Eis o porquê:

A maioria das decisões, que tomamos em nossas vidas está sobrecarregada de informações feitas fora da nossa consciência, influenciadas mais pelos contextos do que por nossas cognições (nota: por cognição entendesse como o ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem nas nossas cabeças...).

Como resultado, ao se pedir a alguém para identificar o que vai influenciar o seu futuro com tipo de perguntas como: "me diga como você vai se comportar no futuro, quando você não está pensando sobre o assunto” 
Isto é muito pouco... e tem pouca consistência.

Os cientistas comportamentais Wes Schultz e Robert Cialdini nos fornecem evidências convincentes do porquê de pedir às pessoas para prever o que vai influenciar suas futuras decisões e comportamentos.

Em uma série de estudos, eles perguntaram a várias centenas de proprietários de imóveis na Califórnia, E.U.A., para prever qual das quatro mensagens seria mais bem sucedida em persuadir os moradores em tomar medidas para economizar energia e reduzir o consumo geral.

As quatro sentenças da pesquisa foram:

1) a conservação de energia tem ajudado o meio ambiente;
2) conservação de energia tem protegido as sociedades futuras;
3) conservação de energia tem ajudado a poupar dinheiro;
4) muitos dos seus vizinhos já estão conservando energia.

Com estas sentenças, observou-se que os consumidores tiveram menor influência em seus comportamentos nas respostas.

Os pesquisadores descobriram que a mensagem mais eficaz quando se trata de mudança de comportamento fora rejeitada pela maioria dos entrevistados.

Logo, o desejo das pessoas de manter as aparências é universal e automática.

Por exemplo, estudos têm demonstrado que, em comparação com a abordagem habitual de conhecer sobre as pessoas que não conseguem pagar os seus impostos em dia, por exemplo. É muito comum a um entrevistado informar que na maioria das vezes ter pago os impostos municipais (nota do autor: como o IPTU), sem ter quitado o referido tributo.

Não só somos muito pueris em reconhecer o que vai influenciar o nosso comportamento futuro, como não podemos reconhecer claramente situações futuras.

Também , em um outro clássico estudo realizado em uma lotada estação de metrô da cidade Nova York, depois de contar o percentual de passageiros que dariam uma contribuição no chapéu de um músico, os pesquisadores fizeram uma pequena alteração para o cenário:
- " logo, imediatamente antes de um passageiro (futuro entrevistado) se aproximasse do músico, uma outra (que estava próxima a ele) iria jogar algumas moedas no chapéu do músico”

O resultado? 

Um aumento de oito vezes no total das doações.

Quando entrevistado novamente, os respondentes que fizeram suas doações não atribuíram suas ações para o fato de terem visto alguém dar dinheiro anteriormente, preferindo justificar  com as seguintes frases: 
"Eu gostei da música que ele estava tocando",
"Eu sou uma pessoa generosa", e
"Eu senti pena do cara."

Então, quando se trata de chegar ao coração do que realmente dirige as decisões dos consumidores e seus comportamentos, uma mensagem aparece: - Pare de ouvir seus clientes.

Isoladamente, esta mensagem se limita a chamar a atenção e promove uma alternativa importante que eu acredito: - Comece a observar os consumidores.

A implicação parece clara: Faça menos perguntas sobre o que as pessoas pretendem fazer.

Em vez disso, elabore pequenos testes de campo e estudos de controle  para observar o que realmente fazem os consumidores.

Na maioria dos casos, será muito mais barato do que as abordagens tradicionais de pesquisa de mercado, como as perguntas no início deste texto, e logo as percepções surgirão e poderão fornecer uma real vantagem competitiva para o seu negócio.


STEVE MARTIN
Steve Martin é o autor do artigo 2012 Outubro Harvard Business Review "98% dos leitores HBR ama este artigo" e é co-autor do livro apontado como os maisvendidos do jornal  The New York Times:
Yes! 50 Scientifically Proven Ways to be Persuasive.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Estatísticas na Mídia, na Publicidade e em Estudos.


Estatísticas na Mídia, na Publicidade e em Estudos.

Por Alessandro N.de Mattos

Como mentir sutilmente como gráficos e estatísticas ruins podem
enganar e confundir o leitor.

Estatísticas são usadas extensivamente na mídia, na publicidade e em todos os tipos de estudo.

Não somente porque os números são capazes de informar de uma maneira que as palavras não conseguem, ou sumarizar uma grande massa de dados em uma só afirmação, mas também porque eles podem ser facilmente manipulados e expressos da maneira que for mais conveniente, defendendo qualquer ponto de vista, e, contudo, sem você estar tecnicamente mentindo.

Você não pode provar qualquer fato com estatísticas, mas pode sempre encontrar algo bom ou mal para dizer sobre o assunto.

Estamos atolados por números e estatísticas que nos atingem por todos os lados, afirmando verdades e gritando por uma importância que não questionamos, por acreditar que se eles estão lá, devem estar corretos e devem ser importantes para nós. São tantas estatísticas querendo provar todo tipo de fatos, que muitas até mesmo se contradizem.

Raramente questionamos estes números por considerarmos que se eles estão lá, são corretos e válidos, ou pelo menos alguém já teve o trabalho de verificá-los.

Mas isto muitas vezes não é verdade; não passa de informação falsa ou simplesmente não-informação.

Números que são publicados sem qualquer referência ou verificação podem induzir as pessoas a ações e comportamentos prejudiciais.

Mesmo números que sempre acreditamos serem de suma importância, como os índices das bolsas de valores, como o IBOVESPA, por exemplo,  são só a média de um conjunto de ações de grandes empresas, e não representam o mercado de ações como um todo.

A publicidade é um campo em que sempre temos que questionar o interesse da fonte da informação sobre o que está sendo afirmado.
Mesmo nos casos em que estatísticas e avaliações são creditadas a laboratórios independentes, possivelmente os números certos foram escolhidos com um propósito ou algumas informações foram omitidas para transmitir a mensagem certa.

Não é difícil se deparar com comerciais em:  revistas, jornais, televisão, rádio, Internet ou até em e-mails spams patrocinados por fontes suspeitas, afirmações do tipo (todas elas são apenas exemplos fantasiosos, mas relembram bastante às publicidades que estão por aí):

“Aveia ajuda a baixar as taxas de colesterol em 35% dos casos”, em um estudo de um laboratório “independente” patrocinado por uma indústria de cereais.

“Chocolates ajudam a evitar cáries”, uma descoberta creditada a uma marca de chocolates.

“Tomar café diariamente ajuda a melhorar a memória em 22%”, em pesquisa de uma associação de produtores de café.
“Tomar café diariamente aumenta em 67% as chances de ter gastrite”, em pesquisa de uma associação de produtores de leite.

“Tomar vinho tinto todos os dias aumenta em 5 anos a expectativa de vida”, associação de vinícolas.

“Esse novo espremedor de laranja tira 28% a mais de suco que os outros”, na caixa do eletrodoméstico sendo vendido no supermercado.

“Comer peixe 4 vezes por semana diminui em 58% a chance de um ataque cardíaco”, associação dos comerciantes de peixe.

“Leite de cabra do Himalaia aumenta o nível de potência sexual masculina em 86% depois de 3 meses de uso diário”, importadores de leite de cabra do Himalaia.

Os mais desatentos podem não perceber, mas em todas essas afirmações aparentemente claras, sucintas e diretas ao ponto, estão sérios problemas de manipulação de números e omissão de dados importantes, além é claro, do óbvio interesse do produtor na divulgação dessas informações.

O interesse do produtor geralmente está em exagerar alguma nuance de seus dados estatísticos, para corroborar a sua opinião ou ponto de vista.

É o que mais comumente acontece nos meios noticiosos, que tendem a exagerar os quadros que as estatísticas sugerem para tornar as matérias e reportagens mais interessantes e consequentemente mais vendáveis.

E é difícil acreditar que essas distorções são motivadas por pura ignorância ou preguiça, e que não há uma dose de culpa do produtor, pois quase sempre as situações são exageradas, e quase nunca minimizadas.

Esses produtores de informação esperam que você engula qualquer ponto de vista baseado em números escolhidos a dedo e em estatísticas infundadas.

Adaptado por Sérgio Duarte.
Fonte: http://comomentirsutilmente.blogspot.com.br/2009/05/estatisticas-na-midia-na-publicidade-e.html