terça-feira, 10 de setembro de 2013

Por que tantos homens incompetentes se tornam líderes?


Por que tantos homens incompetentes se tornam líderes?
Há três explicações populares para a baixa representação das mulheres na gestão da empresas:

(1) Não são capazes;
(2) Não estão interessadas​​;
(3) Elas estão interessadas ​​e são capazes, mas não conseguem quebrar uma barreira invisível na carreira, com base em estereótipos preconceituosos, que as impedem ao acesso aos postos de poder.

Conservadores e chauvinistas tendem a endossar a primeira opção, liberais e feministas preferem a terceira, e os em algum lugar são atraídos para a segunda. Mas e se todos esses perdessem estas opiniões?

Em minha opinião, a principal razão é a nossa incapacidade de discernir entre: confiança e competência. Ou seja, porque as pessoas em geral, interpretam mal as demonstrações de confiança como um sinal de competência.

Elas são enganadas em acreditar que os homens são melhores líderes do que as mulheres.

Em outras palavras, quando se trata de liderança, a única vantagem que os homens têm sobre as mulheres (por exemplo, da Argentina a Noruega ou dos Estados Unidos ao Japão) é o fato de que as manifestações de arrogância - muitas vezes mascarados como carisma ou charme - são comumente confundidos com potencial de liderança.

E ocorrem com muito mais frequência em homens que em mulheres.

Isto é consistente com a constatação de que grupos sem líderes têm uma tendência natural para eleger indivíduos egocêntrico, narcisistas e confiantes.
Estas características de personalidade não são igualmente comuns entre homens e mulheres.

Segundo, Freud o processo psicológico da liderança ocorre porque em um grupo de pessoas - os seguidores - substituíam suas próprias tendências narcisistas com o líder, de tal forma que o seu amor para o líder é uma forma disfarçada de amor-próprio ou um substituto para a sua incapacidade de amar a si próprio.
"Narcisismo de outra pessoa", explica o pai da Psicologia.

A verdade é que praticamente em qualquer lugar do mundo, os homens tendem a pensar que são muito mais inteligentes que as mulheres.
No entanto, a arrogância e o excesso de confiança são inversamente proporcionais ao talento de liderança em se tratando da capacidade de construir e manter equipes de alto desempenho, e inspirar seguidores a fim de trabalhar para o interesse comum de um grupo.

De fato, seja nos esportes, política ou negócios, os melhores líderes são geralmente humildes - por natureza ou por criação.

A humildade é uma característica muito mais comum em mulheres do que homens.
Por exemplo, as mulheres superam os homens em inteligência emocional, que é um forte condutor de comportamentos.

Além disso, uma análise quantitativa das diferenças de gênero, no item personalidade (envolvendo mais de 23.000 participantes em 26 culturas) indicou que as mulheres são mais sensíveis, atenciosas e humildes que os homens.

Uma visão ainda mais clara emerge quando se examina o lado escuro da personalidade.
Por exemplo, os dados normativos, que incluem milhares de gerentes de todos os setores da indústria (em 40 países), mostram que os homens são consistentemente mais arrogantes, manipuladores e propensos ao risco que as mulheres.

Um paradoxo.

Em outras palavras, o que é preciso para começar o trabalho não é ser apenas diferente, mas também o inverso. E como resultado, muitas pessoas incompetentes são promovidos a cargos de direção em detrimentos dos mais competentes.

Sem surpresa, a imagem mítica de um "líder" personifica muita das características comumente encontradas nos transtornos de personalidade, tais como narcisismo (Steve Jobs ou Vladimir Putin, são exemplos conhecidos), psicopatia (escolha um déspota favorito como Hitler, Stalin, Sadam,...), e maquiavélico (fácil de encontrar em qualquer governante).
O triste não é que essas figuras míticas não são representativas da média das gerências, mas que, o profissional vai errar em ter justamente essas características.

Na verdade, a maioria dos líderes falha.
Esse tem sido sempre o caso: a maioria das nações, empresas, sociedades e organizações são mal administradas.

Uma boa liderança sempre foi a exceção e não a regra.
A maioria dos traços de caráter, que são verdadeiramente vantajosos para uma liderança eficaz é encontrada predominantemente em pessoas que, deixam de impressionar aos outros sobre o seu talento para a gestão. Isto é especialmente verdadeiro com as mulheres.

Hoje há evidência científica convincente de que as mulheres são mais propensas a adotar estratégias de liderança mais eficazes que os homens.
Em uma ampla revisão de estudos, Alice Eagly e seus colegas mostraram que os gerentes do sexo feminino são mais susceptíveis ao respeito e orgulho de seus seguidores.

Comunicam a sua visão de forma eficaz, capazes de orientar os subordinados.
Elas têm uma abordagem de solução de problemas de forma mais flexível e criativa, bem como sabem premiar seus subordinados diretos.

Diferentemente, os gerentes do sexo masculino são estatisticamente menos lógicos em se relacionar ou interagir com seus subordinados.
Eles são relativamente mais inaptos em recompensar os subordinados pelo desempenho real.

Em suma, não há como negar que a trajetória das mulheres as posições de liderança está pavimentado com muitas barreiras, incluindo um teto de vidro muito grosso.
Mas um problema muito maior é a falta de obstáculos de carreira para os homens incompetentes.

Este texto (Why Do So Many Incompetent Men Become Leaders? De Tomas Chamorro-Premuzic) é uma tradução livre de Sérgio Duarte.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O Rádio e o processo de segmentação


Na tentativa de superar as transmissões nacionais via-satélite da TV, somente em 1990, a rede Bandeirantes de rádio se tornou a primeira emissora no Brasil a transmitir via satélite com 70 emissoras FM e 60 em AM, em mais de 80 regiões do país.

Mas, tudo se complicou, um pouco antes, no meado dos anos 80, que foram marcados pelas redes de rádio dos principais grupos de comunicação no país, que enviam seus programas, vinhetas, comerciais pelos Correios. Era coisa de amador...

A programação não era em tempo real e devido à crise do país, com a inflação monumental de 1984 (3.000% ano, que viveu esta época sabe do sufoco) a operação via rede ficou cara e sem resultados práticos.

Os seguintes fatores marcaram este processo das rádios neste período:

- uma ideia de divulgação dos programas das emissoras transmissores, independente do regionalismo das afiliadas, esquecendo-se do princípio do radio que é a sua característica local;

- barateamento dos custos operacionais das emissoras retransmissores, ocasionando na diminuição do corpo funcional, ou seja, desemprego nos pequenos mercados;

- uma tentativa de uma marca nacional para as emissoras do eixo Rio e São Paulo, e o que é pior: perda da identidade local na interação com os ouvintes.

Notadamente, o rádio mesmo sendo um meio de comunicação de massa, ele vem sofrendo a partir dos anos 1980 uma forma de rádio-morfose em seus formatos de programação através do processo de segmentação e diferenciação.

Smith (1957) em seu clássico artigo : Product Differentiation and Market Segmentation as Alternative Marketing Strategies deu início aos estudos acadêmicos sobre a segmentação de mercado e a diferenciação.

Por que as emissoras adotaram a segmentação de mercado? 

Semana que vem tem mais...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Para que gosta de Rádio (3)


Tudo ia bem até acontecer a radiodifusão com imagem...

Inaugurada em setembro de 1950, por Assis Chateaubriand, a TV Tupi chega ao Brasil como primeiro canal de televisão em São Paulo e, em janeiro de 1951, entra no ar a TV Tupi no Rio.

Ambas, operavam com improvisos ao vivo. O custo do aparelho televisor - que era importado - restringia o seu acesso às classes mais abastadas como no início da radiodifusão. Era necessário criar o hábito de consumo, e Chateaubriand sabia disso... 

O Rádio mantinha-se como instrumento de comunicação popular, e em 1955, ocorria a primeira transmissão experimental de rádio FM, pela Rádio Imprensa do Rio de Janeiro, que copia os moldes do rádio-clube, ou seja, cobrando pela assinatura do serviço de música ambiente.

Mas, surge o videotape (VT) no início dos anos 1960...
Ele permite que os erros ao vivo dos programas televisivos fossem corrigidos antecipadamente e que um programa pudesse ser gravado em horário diferente do horário de exibição. E as rádios continuavam com os improvisados programas de auditório...

De forma célere, a televisão brasileira passou a tratar do processo de segmentação de massa de sua programação com as transmissões via-satélite em 1965 (TV Globo no Rio de Janeiro, que mais tarde formaria a Rede Globo e, em 1967, a TV Bandeirantes em São Paulo).

O fator da inovação através do VT ocasionou a inauguração no país de mais 27 novas emissoras, com 80% da programação exibindo em VT as produções realizadas no eixo Rio - São Paulo.
Uma das estratégias de rádio em aumentar a cobertura tornava-se uma vantagem competitiva das emissoras de TV, de forma eficiente e competente.

(Somente em 1990, a rede Bandeirantes de rádio se tornava a primeira emissora no Brasil a transmitir via satélite com 70 emissoras FM e 60 em AM, em mais de 80 regiões do país).

Todavia, antes na década de 80, o processo de cobertura pelas principais emissoras de rádio do Rio e São Paulo foi coisa de amador... O rádio já havia perdido grande parte das verbas publicitárias (eu vi de perto, ninguém me contou...). 
 
E o pior é quando a receita cai... Em 1962, por exemplo, as pesquisas mostravam que havia um empate na distribuição das verbas publicitárias entre as emissoras de rádio e TV (23,6% para cada um dos meios). Mas, em 1978, a participação nos investimentos em propaganda para o rádio despencaram para apenas 8% (oito percento)... E hoje, esquece...

Semana que vem eu conto mais desta saga do rádio.