sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Eles dizem que os jovens não ouvem o rádio


Eles dizem que os jovens não ouvem o rádio
They say young people don’t listen to the radio
Por James Cridland
Tradução livre de Sérgio Duarte

Como você afirma isto?

Você só precisa perguntar a um cara pessoa que encontra em um bar, e ela irá lhe dizer que o filho de um amigo não escuta rádio e, por exclusão, nenhum jovem do mundo inteiro ouve o rádio...

Aí, você pode levar esse conhecimento de volta ao seu local de trabalho e, confortavelmente, dizer a outras pessoas que os jovens não ouvem o rádio. Estamos falando de alguém que vai ouvir que "os jovens não escutam o rádio".

É quase inteiramente aceito como a verdade da escuta de rádio. Em pouco tempo, estaremos programando todas as estações de rádio para uma dona de casa "jovem de coração" de trinta e poucos anos; porque os jovens não ouvem mais o rádio...

Há uma estação de rádio na Austrália programada para "os jovens", chamada triple j.



No fim de semana passado, eles transmitiram o programa triplo j Hottest 100, um gráfico anual de música votado por ouvintes. Um exercício sem sentido?  Lembre-se, ninguém jovem escuta o rádio mais...

O Hottest 100 deste ano recebeu 2,4 milhões de votos: - a maior quantidade de votos que a estação já teve.

A idade mais comum dos ouvintes: 21 anos. Mais votos do que nunca, dos jovens.

Ah, você vai dizer, mas isso não mostra que os jovens ouvem o rádio.

Eles são todos estúpidos, jovens, e eles acabaram de votar sobre isso porque seus companheiros fizeram algo ou algo assim. Eles não estarão ouvindo. Porque, é claro, os jovens não ouvem o rádio.

Na verdade, o Hottest 100 do triplej é provavelmente o maior evento de transmissão de rádio do mundo.

Eu escrevi um artigo para a revista Radio no ano passado, com alguns dados de transmissão. O total de transmissões simultâneas por servidor em 2017 (provavelmente um pouco cedo demais para obter as estatísticas para 2018) foi de 258 mil no pico. (Isso é significativamente maior do que qualquer estação de rádio com a qual trabalhei...).

Ainda assim, é apenas uma estação, e uma vez que é uma estação de rádio pública, ouvintes claramente mais jovens estão abandonando a rádio comercial em massa, porque os jovens não ouvem o rádio.

Exceto os dados australianos mostram que 79% dos jovens estão ouvindo o rádio todas as semanas; e o rádio também é dinâmico para públicos mais jovens em outros países, incluindo o Reino Unido.

Agora, claro, eles estão ouvindo menos tempo do que há dez anos. Isso provavelmente não deveria ser uma surpresa para ninguém.

Mas eles ainda estão ouvindo: o volume total de jovens está aumentando em muitos mercados, não diminuindo.

Na verdade, não há dados que eu possa achar que demonstre que "os jovens não ouvem o rádio".

Então, da próxima vez que alguém lhe disser que os jovens não ouvem o rádio: em vez de concordar e falar com saudade sobre ouvintes passados e o rádio AM; desafie-os. Pois, pelo que me parece , ao menos,  os jovens adoram o Rádio , tome como exemplo o o Hottest 100 do triplej .


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Marketing de influência: o ano da maturação

Marketing de influência: o ano da maturação


“2018 será o ano do mix de influenciadores -  personalidades, especialistas e micro influenciadores, combinados em um mesmo plano para que os objetivos de marketing sejam atingidos. Cada um com objetivos e público-alvo específicos”, segundo Rafael Coca.

Estimativa da agência norte-americana Mediakix apontou o mercado de marketing de influência como um negócio de mais de US$ 1 bilhão, e a perspectiva é de que a curva de crescimento siga ascendente.

Outro estudo realizado junto ao mercado de anunciantes americanos pela Linqia, em outubro de 2017, aponta que 86% dos entrevistados realizaram ações com influenciadores no ano e, desses, 92% afirmam que a estratégia foi eficaz.

No Brasil, a tendência é similar.

Em estudo divulgado pelo YouPix sobre o mercado local, 67% dos respondentes (40 empresas, com mais de 500 funcionários) concordam que marketing de influência é estratégico dentro do seu plano de comunicação. 

Na escala da evolução da categoria, o marketing de influência já virou a página em importantes temáticas como o possível modismo da categoria, a desmistificação de perfis inflados com compra de seguidores e likes, o ganho de importância de micro-influenciadores, a necessidade de adequação a regras de publicidade gerais, entre outras.

Cabe influenciador no plano?

Muito se falou sobre a importância da cocriação entre marca, agência e influenciadores — ou creators, em melhor definição de seu papel nesse contexto.

Influenciadores tornaram-se parte integrante do processo de conversão de vendas e construção de marcas.

Temos que ir além. O influenciador pode e precisa estar no centro da estratégia — e não ao final dela, como um “add-on”.

As campanhas devem ser repensadas: os consumidores estão cansados de serem impactados com mensagens prontas, digitalmente tratadas e que não mostram uma realidade em que estão imersos.

A quem devemos recorrer?

No processo de evolução da categoria de marketing de influência, muitos anunciantes iniciaram a relação com influenciadores com o viés de assessoria de imprensa.

É importante estabelecer a distinção entre as disciplinas.

Na última, prevalece o relacionamento com veículos e formadores de opinião, com objetivo de gerar uma repercussão orgânica, e isso já é parte da rotina de trabalho da empresa.

Já no marketing de influência, trata-se de uma relação contratual, gerenciada por empresas especializadas, que envolve contrapartidas claras, fortemente amparados pela tecnologia como critério de escolha dos envolvidos na ação. 

Como calculamos o ROI — Return on Influence?

A principal razão de as empresas ainda serem temerárias à contratação de influenciadores é o fato de que ainda se pensa que não é possível rastrear a efetividade de uma campanha deste tipo — 76% dos profissionais de marketing pesquisados pela Linqia citam que a mensuração de ROI é o seu principal desafio, elencando como melhores indicadores: engajamento (90%), cliques (59%) e impressões (55%).

Mensurar claramente os resultados é vital para sustentar o crescimento do mercado, e hoje isso não é mais um impedimento. Existem empresas especializadas em realizar o monitoramento de campanhas de marketing de influência em tempo real, e as plataformas de marketing de influência estão a cada dia mais dotadas de funcionalidades e melhorias, o que torna esse processo de análise cada vez mais fácil e preciso.

Foco em micro-influenciadores, né?  

Em 2017, os micro-influenciadores — perfis com menor alcance, porém mais focados em assuntos e regiões, e muitas vezes, com maior potencial de conversão e engajamento —, foram a bola da vez.

Quando perguntado quais as tendências de marketing de influenciadores que os anunciantes americanos planejam adotar em 2018, 52% citaram programas que alavanquem diferentes tipos de influenciadores como parte de uma estratégia integrada.

2018 será o ano do mix de influenciadores — personalidades, especialistas e micro influenciadores, combinados em um mesmo plano para que os objetivos de marketing sejam atingidos. Cada um com objetivos e público-alvo específicos.

Rafael Coca é sócio-diretor da Spark

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Como as pessoas estão escutando Rádio?

Como as pessoas estão escutando Rádio?

Nós brasileiros devemos estar ligados nos resultados das pesquisas feitas para emissoras de rádio no exterior e fazer comparações com os resultados no Brasil, e com isso fazer uma análise das tendências e refletir sobre o futuro do Rádio.

Na recente pesquisa na Inglaterra pela empresa RAJAR sobre o mercado em 2017, como o nome de Midas (Measurement of Internet Delivered Audio Services que se traduz para “medida da entrega dos serviços de áudio pela Internet”), podemos  refletir acerca de “o quê” e “quem” está ouvindo o meio Rádio nos dias atuais.

Os insights da pesquisa Midas e da pesquisa IBOPE/Kantar - Brasil

O meio rádio representa 75% de todo o áudio escutado pelos ingleses, com destaque para 50% dos jovens entre 15 e 24 anos. No Brasil, de acordo com o levantamento do IBOPE, 91% dos entrevistados entre 15 e 19 anos declararam ouvir rádio por ao menos um minuto nos últimos 30 dias.

Na Inglaterra as pessoas entre 25 e 34 anos estão acostumadas em ouvir as emissoras através de programas gravados... isto mesmo: gravados. Eles tem o costume de acessar a dois formatos na web: o “podcast” e o “listen again”.  


Para quem não sabe, os  podcasts são programas específicos gravados com um propósito específico e em alguns casos como episódios (do tipo as séries do Netflix)  e os “Listen Again” (ouvir de novo) são aqueles como por exemplo:  ouvir a narração (gravada) dos gols de um jogo de futebol no site da emissora ou pelo canal do YouTube... Por isso se chamam: Listen Again...

Todavia,  vale ressaltar que no Brasil, segundo a pesquisa Kantar, a internet ainda não é forte no alcance dos ouvintes!

Saiba o porquê.

Segundo o Ibope, em pesquisa de Setembro de 2017: “95% do consumo de rádio foi registrado para emissoras transmitidas em AM ou  FM, independentemente dos devices usados para audição” e “23%  dos ouvintes escutam o meio e usam a internet ao mesmo tempo” , ou seja, a audiência por aparelhos nas casas e nos carros ainda é absoluta (78%). A soma entre  telefones pessoais e computadores é de 22% dos brasileiros.

Em tese, os ingleses estão cada vez mais desfrutando de rádio sob demanda e em novas plataformas.

Aqui o trabalho ainda é incipiente e devemos ficar de olho bem abertos para as novas pesquisas em 2018.