segunda-feira, 29 de julho de 2013

Trabalhando em Casa: um trabalho em progresso


 Trabalhando em Casa: um trabalho em progresso.
Working from Home: A Work in Progress

 
Já se passou cerca de seis semanas que todos os empregados do Yahoo! tiveram que começar a aparecer nos escritórios da gigante da Internet todos os dias para labutar.

Um memorando confidencial, mas amplamente divulgado,  proibiu o teletrabalho ressaltando a importância da proximidade física para preservar a cultura criativa no Yahoo!, conforme orientação da nova CEO Marissa Mayer.

Muitas foram as críticas a nova política de Mayer, acusada de limitar a autonomia de seus funcionários e com uma sinalização de que ela não confiava neles.

Qualquer que tenha sido a intenção da nova regra de Mayer, os debates pegam fogo sobre os méritos e as desvantagens da tendência em trabalhar.

Vamos a alguns relatos de pesquisa.

Durante muitas semanas, no início deste ano, foram coletados pontos eletrônicos dos funcionários do departamento de recursos humanos em um setor bancário de Nova York.

Embora não estivéssemos olhando estritamente para a marcação de pontos, uma tendência interessante surgiu dos comentários fortemente positivos de funcionários nos dias que ocasionalmente trabalhavam de casa.

Observamos que pessoas citaram sobre o alívio de ser liberado das distrações do escritório e ter a oportunidade de pegar no trabalho com mais foco.

Perguntamos explicitamente como se sentiram os funcionários sobre o trabalho de casa e a resposta foi extremamente positiva.

De estrito interesse nosso, os participantes da pesquisa demonstraram que tiveram mais progresso quando trabalhavam em casa.

Nas razões citadas por eles incluíram-se: aumento de foco, maior criatividade, economia de tempo (que teria tido como fundamental) e sentir-se relaxado e confortável.

Durante o estudo, foram coletadas diariamente avaliações de auto-relato de cada pessoa em várias medições. As respostas para a maioria dos itens pesquisados foram as mesmas para as atividades em um escritório e nos trabalhos em casa (Home Office), com exceção do item: frustração.

Os participantes da pesquisa, constantemente, indicaram a frustração com a sensação de  trabalho menor quando se exerce atividade profissional em casa.

Em outra pesquisa descobriu-se que, de todos os eventos que podem manter as pessoas felizes envolvidos no trabalho, o mais importante é ter progresso.

Outro item se ​​enquadrou em nossas descobertas: - “Em geral, as pessoas gostam de trabalhar em casa, pois elas apreciam a capacidade de agendar suas vidas em torno de seu trabalho e não o contrário - e algumas podem até valorizar essa flexibilidade mais do que uma progressão dentro de uma carreira”.

Além disso, estar sozinho pode ajudar algumas pessoas a evitar frustrações e aborrecimentos da vida em um escritório.

Notoriamente, ao se trabalhar de forma dispersa, isto pode levar as pessoas a se sentirem mais confiantes e ter mais avanço, o que é um endosso muito poderoso.

Em mais um estudo realizado por pesquisadores da universidade de Stanford revelaram-se diferenças significativas entre os funcionários de um call center em uma empresa chinesa que foram aleatoriamente designados para trabalhar em casa durante nove meses e aqueles que não foram. Resultado: os que trabalharam em casa se tornaram mais produtivos.

Em outro estudo com mais de 700 formandos de MBA, descobriu-se que aqueles trabalhadores, cujas empresas tiveram contratos de trabalho flexíveis eram mais propensos a aspirar a cargos importantes em suas empresas .

É claro que há problemas com estas tendências.

Os participantes do estudo, como aqueles no estudo de call center chinês, tinham que fazer um trabalho de natureza eminentemente independente, repetitivo, com pouca necessidade de colaboração e pouco espaço para a criatividade.

Integrar funcionários em um escritório pode ser muito importante se o sucesso do negócio de uma empresa é em grande parte dependente da troca frequente de novas idéias entre os trabalhadores.

Em um relatório recente do instituto de pesquisa Gallup mostrou-se que os trabalhadores em casa são mais engajados do que os trabalhadores no local, mas enfatizou que o trabalho em casa é melhor com moderação.

Em outro relatório realizado pela Citrix (uma empresa da Flórida que projeta a tecnologia para que os funcionários trabalhem em Home Office), um quarto dos funcionários admitiu ter uma bebida alcoólica durante o trabalho em casa.

Em suma: a questão principal é que o Home Office tem sentido para algumas pessoas e outras não.

Embora nossa pesquisa e outros estudos sugerem que os colaboradores  se beneficiam das telecomunicações, segundo Maria Meyer os profissionais da Yahoo devem ainda atuar de forma criativa em suas participações no Yahoo! no cotidiano do escritório.

 

Texto com tradução livre de Sérgio Duarte por Teresa Amabile professora da Escola de Administração de Negócios da Harvard Business School.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Relatório Popcorn - uma base para segmentação

O Relatório Popcorn

Nos anos 1990, a pesquisadora americana Faith Popcorn tornou-se a principal tendência nos estudos da segmentação de mercado ao desenvolver estudos sobre buyer personas (já escrevemos sobre isto aqui no nosso blog).

Ela foi reverenciada pelas previsões dos novos tipos de consumidores como uma base para a buscada segmentação, em seu livro O Relatório Popcorn: Centenas de Ideias de Novos Produtos, Empreendimentos e Novos Mercados (editado pela Campus) descreve as tendências de consumo para este século. 

Leia as principais tendências que mostram o retrato dos consumidores na virada do século XX:


O encapsulamento

As pessoas preferem curtir mais a própria casa. Sejam sozinhos, com família ou com um número restrito de amigos.
Tudo pela comodidade e segurança.
São os produtos que chegam até esses consumidores. Desde entrega de alimentos, até produtos de entretenimento (hoje DVD).

O desafio: saber quais produtos a oferecer para esse consumidor enclausurado.

A aventura da fantasia
Sair da realidade e buscar o prazer, sentir adrenalina nas atividades. Mas com segurança! É oferecer o seguro e propiciar um ambiente familiar com um tempero de aventura ou exotismo.
Só um produto adicionado de sensações (gosto, textura, som, cheiro, cor) faz com que ele seja mais “sensacional”.
Pequenas indulgências
Isto é uma retribuição a você mesmo.
É uma recompensa material pelo dia corrido e estressante do dia-a-dia. São mimos que merecemos.

Egonomia

É personalizar o produto às necessidades do consumidor (as propagandas nas revistas são diferentes conforme a região, é a altura do fogão e pias que devem variar com a altura dos moradores, é poder escolher os detalhes da sua calça jeans).

Sair fora

É a tendência que desacelera o batimento cardíaco e resgata a alma cansada.

É ir trabalhar em outro lugar ou abrir seu negócio, reformar a casa, mudar estilo de vida, trabalhar em casa, ter tempo flexível, ou seja, buscar algo que o fará viver com qualidade.

Volta ao passado
É a reinterpretação da definição do envelhecimento.
É a ponte através da qual os adultos tentam resgatar a infância despreocupada com a atual maturidade. Para o profissional de marketing, a visão é perceber como atingir essa criança dentro do adulto.

Sobreviver
preocupação com a saúde.
É a alimentação agregando novos ingredientes em benefício da saúde e do humor. Iluminação com fator bloqueador, biscoitos com ervas calmantes, cruzeiros terapêuticos. O ser humano tem como objetivo sobreviver.
 
Consumidor vigilante
Preocupação com o produto oferecido (produtos com validade vencida, alimentos com agrotóxicos, produtos não licenciados).
Consumidor não quer ser enganado e preocupa com aquilo que está consumindo. São consumidores investigadores, que pesquisam a qualidade antes de comprar. Além disso, há uma preocupação com a relação consumidor-empresa. Essa relação passa a ser mais humana, onde é exigido um comprometimento sobre todas as ações tomadas por parte das empresas (propaganda, produto, benefícios).
99 vidas
Época em que executamos vários papéis por uma questão de escolha.
A tradicional família é substituída por inúmeras pessoas que se misturam entre famílias. E o surgimento da tecnologia fez com que tudo ocorresse mais rapidamente. Daí surgiu a expressão “Síndrome da Aceleração”, no qual as pessoas buscam mimos, fantasias e mudança no estilo de vida. Para tudo isso, os serviços e produtos tendem adequar a essa realidade, a da praticidade, onde você poderá obter tudo num só lugar. É ter um atendimento multifuncional.
S.O.S (salve o social)
Época da decência, da dedicação à ecologia, educação e ética.
È a época do fazer a coisa certa. Só “não fazer nada errado” não basta. O consumidor está cobrando das empresas uma preocupação com o ambiente, com a comunidade e com a ética. Doações, trabalhos voluntários, cursos voltados para a assistência social e responsabilidade social é representativo. E o Marketing? O conceito S.O.S para o Marketing é o “Marketing de Causa”, no qual uma compra expressa um ponto de vista social; seja ambiental, social ou até político.

 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Devo aceitar o seu convite para o LinkedIn?


Devo aceitar o seu convite para o LinkedIn?
Should I Accept that LinkedIn Invitation?

 
Por Alexandra Samuel com tradução livre de Sérgio Duarte

Essa é uma pergunta que eu estou quase certa de ouvir em qualquer oficina de mídia social ou mesmo em conversas individuais nas redes sociais.

Os usuários da rede social LinkedIn estão frequentemente incertos sobre o que cerca os pedidos de aceitar a associação nesta rede social, cujos convites se estendem de várias formas a:
- Alguém que compartilha regularmente seus posts no Twitter?
- Alguém do seu condomínio?
- A namorada de seu primo com o um negócio novo?

O problema de quem se conecta com ao LikedIn é o enigma acerca do tipo de pessoas, já que a rede em si não é nem de isca, nem de peixe. Pergunta-se:
- Trata-se de uma rede social como o Facebook, onde as conexões são (pelo menos teoricamente)entre "amigos"?
- Uma plataforma pública como o Twitter, onde as pessoas podem ver e julgá-lo sobre o número de seus seguidores?
- Ou apenas um livro de conexões (de endereços) realmente impressionante?

É, na verdade, todas essas coisas.

Para usar o LinkedIn em seu potencial máximo, você precisa acionar o seu controle como em uma máquina de memória, onde um livro de endereços o qual todas as entradas se conectam entre si, para criar-se uma mini-rede , onde você e as coisas que você compartilha se unam.

E essa máquina só funciona se você é seletivo sobre quais as pessoas que você vai aceitar se relacionar.

No meu caso, eu aprendi o valor de seletividade pela maneira mais difícil. Por exemplo, nos primeiros dias do LinkedIn, eu me conectei com quem convidou, como fiz em outras redes sociais.
Todavia, desde que comecei a tentar começar relacionamentos com as pessoas que eu queria conhecer, descobri que a minha promiscuidade em fazer conexões significava na maioria dos meus resultados de pesquisa em pessoas que eu não poderiam realmente fazer parte das minhas relações.

Sim, cada acesso se transformou em grande número de ligações potenciais (pessoas que foram ligadas a pessoas que eu estava conectado).  Mas na maioria das vezes, esse ponto de conexão era alguém que eu não conhecia bem o suficiente para convidar.

Eu desperdicei horas através das páginas de resultados de pesquisa, apenas, para encontrar duas ou três conexões, as quais eu poderia realmente aproveitar.

Você precisa de um filtro para ajudá-lo a conectar-se não apenas alguém que você conhece, mas apenas com aquelas pessoas que serão capazes de ajudar - ou a quem você poderá ajudar...

Por esta experiência própria, assim nasceu o meu "teste de favorecimento" como resposta ao título desta provocação: - Devo aceitar o seu convite para o LinkedIn?

O teste de favorecimento é bem simples, basta questionar:  O que você faria em favor a essa pessoa (no pedido de amizade), ou pediria? Se a resposta for positiva: faça uma conexão...uma amizade...

Um teste de favor não é restrito a uma introdução entre pessoas; pois outros tipos de pedidos entram em jogo no LinkedIn nos relacionamentos como:
- Apoiaria minha instituição de caridade?
- Você vai assistir a minha palestra?
- Você pode fazer uma revisão de meu livro?
Quando você está pensando sobre a possibilidade de aceitar o convite de alguém para se conectar, imagine ser confrontado com pedidos como estes.
(Note-se que há uma diferença entre dizer sim a uma palestra, porque é um evento interessante, e dizer sim, porque você quer ajudar a uma pessoa realiza este tipo de evento).

Entenda, que são as pessoas que você vai se relacionar em seu percurso que irão ajudar na trajetória profissional.
E quem você confia para ajudá-lo na sua história, que deve passar no teste de favorecimento, notoriamente.

Se você é direto na aplicação do teste de favorecimento, poderá construir uma rede LinkedIn que será útil e eficiente no apoio a qualquer meta profissional.

Mas não quero ser visto como uma dessas pessoas, do tipo que avalia as pessoas com base em números.
O principal no teste de favorecimento é pensar nos sentidos de qualidade de seus relacionamentos.

A rede LinkedIn tem impacto mais enfático,  quando um favor passa de uma hipótese para uma ação  tangível (como por exemplo, quando você faz essas amizades, ou quando você encontra uma pessoa-chave em uma empresa que você sempre sonhou em trabalhar).

Em suma, depois de ver sua rede LinkedIn não só como uma forma de realizar seus próprios objetivos, mas também como um ativo que você pode compartilhar com as pessoas que você acredita; você vai encontrar muito mais do que algumas oportunidades de vendas ou uma melhor forma de classificar pilhas de currículos profissionais (na mesa de um recrutador de Recursos Humanos).

Alexandra Samuel é Vice-Presidente de Mídia Social, e provedora de tecnologia de pesquisa de mercado. Ela é a autora de livros sobre o LinkedIn (publicados na Harvard Business Review Press, junho de 2013).